O papel dos pais e da escola na educação


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Ana Paula Rezende Bartolomeo*

A escola exerce um papel importante no desenvolvimento integral das crianças, especialmente na primeira infância. Mas, os pais também devem assumir o seu papel se desejam criar filhos felizes e prontos para lidarem com as responsabilidades e compromissos os quais a vida adulta irá lhes apresentar no futuro.

Conviver de forma saudável com os filhos, ser presente, interagir, brincar e até impor limites são atos de amor, que permitem que as crianças sejam protagonistas de seu próprio desenvolvimento, aprendendo no seu tempo e, assim, ampliando suas competências e seu lado psicossocial. Afinal, estímulos emocionais e cognitivos realizados na primeira infância são comprovadamente fundamentais para desenvolver as funções cerebrais.

Há vários caminhos que podem ser seguidos na busca por uma educação mais completa. Em todos eles, a confiança e a parceria entre a escola e a família são indispensáveis, pois, a partir dessa relação harmoniosa, as possibilidades de aprendizagem são ampliadas. Quando os estímulos não são feitos de forma adequada, o desenvolvimento da criança acontece de forma mais lenta e menos efetiva. É por meio dos estímulos que se consegue desenvolver nas crianças vários tipos de inteligência e outros mecanismos, como a memória e a corporeidade, que é a capacidade de usar o corpo para interagir com o mundo externo.

Pesquisas indicam a importância de uma boa orientação escolar nos primeiros anos de vida, que estimule a linguagem e a alfabetização em um ambiente rico em termos de linguagem, abrangendo áreas de desenvolvimento e que enfatizem o vocabulário expressivo e receptivo, alfabetização e operação com números. Por isso, a escolha da escola é tão importante.

Porém, além de escolher uma escola que estimule os filhos, é essencial que os pais participem ativamente da sua vida escolar. Aos educadores, afirmo que é importante trazer os pais para dentro da escola, por meio de projetos e eventos com o intuito de despertar neles questões que permeiam seu envolvimento em relação à educação de seus filhos, em todos os âmbitos. 

Em casa, a primeira questão é você é um exemplo para o seu filho? Ele pode se espelhar em você? De nada adianta impor regras e conceitos se você, como pai ou mãe, faz o inverso. Os filhos vão sempre imitar os pais nas suas próprias atitudes.

Dizer não é outra questão que muitos pais não sabem lidar. Nos tempos atuais, em que geralmente pai e mãe trabalham o dia todo, a forma que muitos encontram para tirar de si a “culpa” por não estarem presentes o tempo que gostariam é fazendo todas as vontades do filho. Um livro, escrito em 1762 pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, permanece atual até os dias de hoje. Em “Emílio ou Da Educação“, ele diz: “Sabe qual é a maneira mais certa de deixar seu filho infeliz? Acostumá-lo a receber tudo.”

Segundo Rousseau, se você der tudo a uma criança, seus desejos só farão crescer devido à facilidade em satisfazê-los e ela terá de lidar então com sua própria ansiedade, com sua tirania e com a decepção de o pai, em algum momento, parar de atendê-lo, já que satisfazer todas as vontades é impossível. “São sentimentos muito mais difíceis de administrar, para uma criança, e que causam mais dor do que simplesmente ter um desejo negado”, diz Rousseau.

*Ana Paula Rezende Bartolomeo é psicóloga e diretora da Trilha da Criança Centro Educacional