Cidadania também é coisa de criança


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Ana Paula de Rezende Bartolomeo*

A criança constrói valores éticos e morais a partir dos primeiros anos de vida, por meio de modelos, desafios e confrontos vividos em seu processo de socialização e do seu contato com a cultura.  Ao ingressar na escola, ela sai da esfera familiar para a esfera social, onde vai aprender a compartilhar espaços, brinquedos e diversas situações que são próprias do convívio com a coletividade. Com esse aprendizado, ela passará a compreender qual é o seu papel na sociedade.

Vários estudos de teóricos como Jean Piaget e Lev Vygotsky demonstram a importância das experiências do sujeito e da interação com o meio para a sua formação, pois as normas de conduta, valores pessoais e capacidade imaginativa e de resolução de problemas dos atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem refletem em seus futuros julgamentos, comportamentos morais e na sua ação cotidiana.

Nesse sentido, acredita-se que a escola cumpre papel fundamental, visto que ela pode estimular seus alunos a desenvolverem essa capacidade de análise e reflexão crítica. Para isso, ela deve ser compreendida como parteda formação global do cidadão, que envolve aspectos sociais, cognitivos, afetivos e morais.

E é com base na importância do processo educativo para a construção de uma consciência cidadã que os projetos pedagógicos devem incorporar atividades que visam somar talentos individuais para a construção de uma sociedade melhor, na qual se projetam os valores humanos e a preservação da natureza como objetivos principais. Esse compromisso com a coletividade, que resulta da combinação entre responsabilidade pessoal e social, se constrói no próprio ambiente que o projeta, ou seja, no coletivo.

No ambiente escolar, essa consciência cidadã encontra um terreno fértil para florescer. Os projetos pedagógicos precisam fomentar discussões sobre a necessidade de preservar o meio ambiente e a importância da amizade e do respeito às diferenças. É preciso ensinar aos pequenos que a água é um bem valioso e é preciso cuidar do recurso para que ele não se esgote. Eles também precisam aprender a diferenciar lixo orgânico de material reciclável, a ser solidários, respeitar o próximo e dialogar para resolver impasses e divergências de opiniões.

Falar que “as crianças são o nosso futuro” não é nenhum clichê. Quanto antes se trabalhar o exercício da gentileza, da paciência, do respeito, da criatividade e da consciência em relação à diversidade e ao meio ambiente, mais esses princípios brotarão de forma plena e despertarão o engajamento. O processo educativo deve ser o responsável por levar os sujeitos a refletirem sobre o seu papel na vida do outro e sua capacidade para exercitar as boas práticas e como essas iniciativas fazem do mundo um lugar melhor. Sim, cidadania também é coisa de criança!

*Ana Paula de Rezende Bartolomeo é diretora da Trilha da Criança Centro Educacional